Visto
O visto D7 é a via de longa duração mais acessível de Portugal para quem tem rendimento passivo estável — pensões, rendas, dividendos, royalties ou trabalho remoto. Desde que a via imobiliária do Golden Visa foi eliminada em outubro de 2023, o D7 tornou-se o caminho de facto para a maioria dos reformados expatriados e dos early-retirees em fase FIRE. Aqui fica exatamente aquilo de que precisa, como o processo realmente decorre em 2026 e as armadilhas a evitar.
Encontre um advogado de imigração portuguêsO D7 foi introduzido em 2007 (Decreto Regulamentar n.º 84/2007) como o 'Visto de Rendimento Passivo' (por vezes 'Visto de Reforma', embora não esteja restrito a reformados). Existe para cidadãos não-UE/EEE/Suíça — os cidadãos da UE não precisam de visto para viver em Portugal. O visto permite: • **Residência de longa duração** em Portugal como a sua habitação principal • **Direitos de trabalho e de trabalho independente** desde o momento da aprovação • **Acesso ao SNS** (Serviço Nacional de Saúde de Portugal) • **Acesso ao ensino público** para os dependentes • **Reagrupamento familiar** para cônjuge, filhos menores, pais dependentes e filhos adultos ainda em formação • **Circulação no Espaço Schengen** — os residentes D7 podem viajar sem visto pelo espaço Schengen até 90 dias em cada período de 180 dias • **Caminho para a residência permanente** após 5 anos de residência legal • **Caminho para a cidadania portuguesa** após 5 anos (sujeito a teste de língua portuguesa de nível A2 e registo criminal limpo) Os compromissos face ao (agora mais restrito) Golden Visa são: tem de passar tempo significativo em Portugal (mais de 6 meses consecutivos por ano, ou 8 meses no total num período de 12 meses — a regra de 'presença física'), e a prova de rendimentos é mais exigente na candidatura. Em contrapartida, o custo é muito inferior aos mínimos de investimento do Golden Visa.
O consulado português avalia três coisas: (1) montante do rendimento, (2) estabilidade do rendimento, (3) legitimidade da origem. Os mínimos legais na tabela abaixo são o limiar mínimo — a maioria dos candidatos bem-sucedidos demonstra rendimentos confortavelmente acima destes níveis, e alguns consulados aplicam informalmente limiares mais elevados, sobretudo a candidatos sediados nos EUA. Os tipos de rendimento elegíveis incluem: • **Pensões estatais ou privadas** (o tipo de rendimento D7 mais comum) • **Rendas** de imóveis detidos fora de Portugal • **Dividendos** de carteiras de investimento • **Royalties** de propriedade intelectual • **Rendas vitalícias** e distribuições estruturadas de reforma • **Trabalho remoto** para um empregador não português (tecnicamente — muitos optam antes pelo D8, ver abaixo) • **Rendimento de trabalho independente** se puder ser comprovado como estável ao longo de mais de 6 meses Tipos de rendimento que normalmente não qualificam por si só: lucros de trading (demasiado voláteis), mais-valias pontuais, detenção de criptomoedas sem distribuições recorrentes, apoio familiar / doações.
| Composição do agregado | Rendimento anual mín. | Rendimento mensal mín. | Saldo bancário recomendado |
|---|---|---|---|
| Requerente individual | 10 440 € | 870 € | 10 440 €-15 000 € |
| Casal | 15 660 € | 1 305 € | 15 660 €-22 500 € |
| Casal + 1 filho | 18 792 € | 1 566 € | 20 000 €-27 000 € |
| Casal + 2 filhos | 21 924 € | 1 827 € | 22 000 €-31 000 € |
| Casal + progenitor dependente | 19 488 € | 1 624 € | 20 000 €-28 000 € |
Com base no salário mínimo nacional português de 2026 (Salário Mínimo Nacional, SMN) de 870 €/mês. Os limiares sobem anualmente com o SMN. A coluna do saldo bancário mostra a almofada de poupança que a maioria dos consulados espera ver a par da prova de rendimentos. Fonte: AIMA + orientações da prática consular.
Fase 1 — visto consular: candidate-se no consulado português que abrange o seu país/estado de residência. Os documentos exigidos incluem passaporte (com validade restante de 6+ meses), certificado de registo criminal (de todos os países onde viveu nos últimos 5 anos), comprovativo de alojamento em Portugal (contrato de arrendamento ou escritura de imóvel), comprovativo de seguro de saúde com cobertura em Portugal para o período inicial, prova de rendimento passivo de pelo menos os últimos 6-12 meses, e extratos bancários que demonstrem a almofada de poupança. A taxa do visto é de 90 € (requerente individual), e o processamento demora normalmente 3-4 meses, mas pode chegar a 5-6 meses consoante a carga de trabalho do consulado. Fase 2 — agendamento de residência na AIMA: dentro da validade de 4 meses do visto, voa para Portugal e tem de concluir o seu agendamento na AIMA (a agência que substituiu o SEF em 2023). É aqui que recebe a sua autorização de residência temporária de 2 anos. A disponibilidade de agendamentos na AIMA é o estrangulamento prático em 2025-2026 — tempos de espera de 2-6 meses são comuns, por isso marque o agendamento imediatamente após a aprovação do visto, idealmente antes mesmo de voar para Portugal. O agendamento custa cerca de 85 € + cerca de 155 € pela própria autorização. Fase 3 — renovações: a autorização inicial de 2 anos renova-se por mais 3 anos (5 no total), convertendo-se depois em residência permanente após pedido. Cada renovação exige a prova de que a fonte de rendimento se manteve, de que cumpriu os dias de presença física exigidos em Portugal, e de que tem um registo criminal português limpo.
Escolher entre as três principais vias de visto de longa duração de Portugal resume-se ao seu tipo de rendimento e a quanto quer realmente viver em Portugal.
| Característica | Visto D7 | Visto D8 | Golden Visa (2024+) |
|---|---|---|---|
| Indicado para | Reformados, FIRE, rendimento passivo | Trabalhadores remotos (empregador não-PT) | Investidores que não querem mudar-se |
| Tipo de rendimento | Passivo (pensões, rendas, dividendos) | Trabalho ativo de empregador estrangeiro | Investimento de capital |
| Rendimento mínimo | 870 €/mês (salário mínimo nacional) | 3 480 €/mês (4× salário mínimo) | N/A — baseado em investimento |
| Investimento mínimo | Nenhum — apenas almofada de poupança | Nenhum — apenas almofada de poupança | Fundo de investimento de 500 mil € (ou doação cultural de 250 mil €, criação de empresa de 500 mil €+ com postos de trabalho) |
| Presença física exigida | 6 meses/ano contínuos OU 8 meses em 12 | Igual ao D7 (visto de residência) | Apenas 7 dias/ano — mínima |
| Caminho para a cidadania | 5 anos + português A2 | 5 anos + português A2 | 5 anos + português A2 |
| Permite trabalhar em Portugal | Sim | Sim (embora o rendimento principal deva ser estrangeiro) | Sim |
| Inclui compra de imóvel? | Não (independente — pode comprar ou arrendar) | Não (independente) | Via imobiliária ELIMINADA em out. 2023 |
| Candidato típico | Reformado dos EUA/Reino Unido/Canadá | Trabalhador tech com salário dos EUA/Reino Unido | Elevado património dos EUA, Brasil, China |
Fonte: Decreto Regulamentar n.º 84/2007 (D7), Decreto-Lei n.º 41/2023 (visto D8 'Nómada Digital', criando uma via dedicada), Lei n.º 56/2023 (alterações ao Golden Visa em out. 2023). A via do fundo de investimento do Golden Visa mantém-se ativa; a via de compra de imóvel foi definitivamente encerrada em outubro de 2023.
A regra de presença física é o requisito contínuo mais determinante. Ao contrário do Golden Visa (7 dias/ano), os titulares do D7 têm de demonstrar residência real em Portugal. O SEF/AIMA pode pedir registos de viagens, faturas de serviços, matrícula escolar dos filhos e movimentos bancários portugueses em qualquer renovação. As pessoas que tratam o D7 como uma 'residência no papel' enquanto vivem noutro lugar têm a renovação rotineiramente recusada. Checklist administrativa nos primeiros 90 dias após a chegada: • **Obter um NIF** (número de identificação fiscal português) — se ainda não o fez como não residente, terá de o atualizar para o estatuto de residente • **Abrir uma conta bancária portuguesa de residente** — Millennium BCP, Activobank, BPI, Caixa Geral tratam todos disto; alguns exigem deslocação ao balcão • **Inscrever-se no SNS** no centro de saúde mais próximo (USF) — leve o cartão de residência, o NIF e o comprovativo de morada • **Registar a sua morada** na Junta de Freguesia e atualizar na Câmara Municipal • **A residência fiscal começa quando você começa** — a regra dos 183 dias de Portugal significa que, se se tornar residente fiscal em qualquer ano civil, o seu rendimento mundial passa a ser tributável em Portugal a partir desse ano (sujeito a convenções para evitar a dupla tributação) • **Considere o IFICI** — o regime fiscal de substituição do RNH de Portugal, embora a maioria dos reformados já não qualifique (ver o nosso guia do IFICI) O acesso ao SNS é um dos maiores benefícios práticos — o sistema nacional de saúde de Portugal é bem avaliado nos cuidados primários e nos serviços de urgência, embora as esperas por especialistas possam ser longas. A maioria dos reformados D7 mantém um pequeno complemento de seguro de saúde privado (40 €-100 €/mês por pessoa) para contornar as filas de especialidade.
**Erro 1 — prova de rendimento irregular.** Os consulados procuram um padrão: 'este rendimento é estável e recorrente?'. Mostrar um único dividendo trimestral avultado não bate mostrar 12 meses de extratos mensais. Se o seu rendimento for genuinamente irregular (pagamentos anuais de royalties, etc.), complemente com uma almofada de poupança maior e uma carta explicativa clara. **Erro 2 — janela de documentação demasiado curta.** Os consulados querem normalmente, no mínimo, 6 meses de extratos recentes; a melhor prática são 12 meses. Se está há 3 meses na reforma, espere os meses adicionais antes de se candidatar — candidaturas precoces com documentação fraca são rotineiramente recusadas. **Erro 3 — poupanças insuficientemente documentadas.** Para além do rendimento mensal, os consulados querem ver poupanças suficientes para o sustentar em Portugal durante pelo menos um ano. A coluna 'saldo bancário recomendado' na tabela de rendimentos acima é o que a maioria dos consulados espera informalmente. Os candidatos sediados nos EUA, em particular, são escrutinados com mais rigor neste ponto. **Erro 4 — prova de alojamento.** Precisa de uma morada portuguesa antes de se candidatar. Duas opções: (a) assinar um contrato de arrendamento de 12 meses (faturas de serviços + contrato servem ambos de prova), (b) comprar um imóvel antes de se candidatar (escritura + faturas servem de prova). Reservas de alojamento de férias (Airbnb) geralmente não qualificam. Se ainda não tem alojamento em Portugal, planeie primeiro uma viagem de pesquisa de imóveis. **Erro 5 — calendário do agendamento na AIMA.** As vagas de agendamento na AIMA são o estrangulamento prático em 2025-2026. Marque a vaga na mesma semana em que o seu visto for aprovado, idealmente antes de voar. Alguns candidatos marcam primeiro o agendamento na AIMA (pode ser feito do estrangeiro com a referência da candidatura ao visto), para chegarem a Portugal com uma data confirmada. Um advogado de imigração português (advogado de imigração) trata normalmente da candidatura de ponta a ponta por 1 500 €-3 500 €, consoante a complexidade. Para candidatos com perfis de rendimento simples, fazer por conta própria é realista; para rendimentos transfronteiriços (vários países, vários tipos de rendimento, adição de vistos de dependentes), os honorários do advogado normalmente compensam-se em tempo poupado e risco de recusa reduzido.
Não. O visto D7 exige prova de alojamento em Portugal (contrato de arrendamento OU escritura de imóvel). Arrendar é tão válido como comprar. Muitos candidatos arrendam durante 6-12 meses enquanto exploram diferentes regiões e depois compram após decidirem onde se fixar. Comprar primeiro não é obrigatório nem vantajoso do ponto de vista do visto.
Sim. As prestações de reforma da Segurança Social dos EUA são aceites como rendimento passivo elegível por todos os consulados portugueses. Vai precisar de uma Social Security Award Letter (SSA-1099 ou equivalente) que indique o montante mensal. A convenção fiscal EUA-Portugal atribui o direito primário de tributação da Segurança Social ao país de residência, pelo que a Segurança Social dos EUA normalmente passa a ser tributável em Portugal assim que se torna residente fiscal, mas o IRS dos EUA continua a exigir que a declare.
Conte com 6-9 meses no total. Fase 1 (da candidatura no consulado ao visto em mão): 3-6 meses consoante a carga de trabalho do consulado — os consulados dos EUA são normalmente mais lentos do que os europeus. Fase 2 (da chegada a Portugal ao agendamento na AIMA): 2-6 meses devido ao atraso da AIMA. Marque o agendamento na AIMA imediatamente após a aprovação do visto para minimizar a fase 2. Alguns candidatos marcam a AIMA em paralelo com a candidatura no consulado, se o número de referência o permitir.
Sim. Os titulares do D7 têm plenos direitos de trabalho em Portugal — trabalho por conta de outrem, trabalho independente, freelancing, tudo aquilo que os cidadãos portugueses podem fazer legalmente. O visto tem o nome de rendimento passivo porque é assim que se *qualifica*, mas, uma vez aprovado, não está restrito a rendimento passivo. Muitos reformados D7 fazem trabalho de consultoria ou de ensino em part-time em Portugal sem problemas.
A regra legal é: (a) não pode ausentar-se de Portugal por mais de 6 meses consecutivos sem motivo justificativo, ou (b) as ausências cumulativas não podem exceder 8 meses num período de 12 meses. Na prática, planeie passar pelo menos 6 meses de cada ano em Portugal. A AIMA pode pedir registos de viagens na renovação e recusar a renovação se as ausências excederem os limites sem justificação.
Sim — o reagrupamento familiar está integrado no D7. Os familiares elegíveis incluem: cônjuge ou parceiro legalmente reconhecido, filhos menores (seus, do seu cônjuge ou adotados em conjunto), filhos adultos dependentes se ainda estiverem no ensino superior, e pais/sogros dependentes. O limiar de rendimento de cada familiar acresce ao seu mínimo exigido (50% para o cônjuge, 30% por dependente). Os vistos de reagrupamento familiar seguem-se normalmente em 6-12 meses após a aprovação do requerente principal.
Quase de certeza que sim. O D7 é legislação de vistos fundacional (Decreto Regulamentar n.º 84/2007 + Lei n.º 23/2007) — não um programa especial como o Golden Visa era. Os vistos fundacionais são politicamente muito mais difíceis de alterar. As reformas da imigração de 2023-2024 visaram especificamente o Golden Visa; o D7 ficou intocado. Os limiares de rendimento estão indexados ao salário mínimo português, pelo que sobem gradualmente todos os anos.
Se tem rendimento passivo, candidate-se já ao D7 — é a via comprovada e mais rápida. O visto D8 'nómada digital' existe desde out. de 2022, especificamente para trabalhadores remotos ativos que ganham ≥3 480 €/mês (4× o salário mínimo) — é um limiar mais alto do que o D7. Se é um trabalhador remoto por conta de outrem com um salário tech dos EUA/Reino Unido, o D8 pode adequar-se melhor. Se é reformado ou aufere de fontes passivas, o D7 tem requisitos de rendimento mais baixos e é a opção mais limpa.
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